A esperança de quem aguarda por um transplante
Doar órgãos é um gesto de amor, solidariedade e esperança. Para quem aguarda por um transplante, representa a possibilidade de voltar para casa, estar ao lado da família, trabalhar, estudar, realizar sonhos e simplesmente ter a oportunidade de viver.
Neste mês, dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, a ARTAP (Associação dos Renais Crônicos e Transplantados da Alta Paulista) reforça a importância desse diálogo.
Em entrevista à Bom Dia Tupã, a presidente da entidade, Mariani Fernandez, destaca o Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, como uma oportunidade para ampliar o conhecimento sobre o tema.

A ESPERA POR UM TRANSPLANTE
Para o paciente renal, a espera por um transplante pode ser longa e marcada por ansiedade. Enquanto aguarda, o paciente pode permanecer em hemodiálise ou em outra terapia renal substitutiva, em uma rotina que exige muito do paciente e de toda a família. Atualmente, 42 pacientes do setor de hemodiálise de Tupã aguardam por um transplante de rim. O tempo de espera é variável e não há uma estimativa definida, pois depende, entre outros fatores, da compatibilidade sanguínea entre doador e paciente. Em 2026, até o momento, foram realizados 4 transplantes renais.
Quando surge a oportunidade, o transplante representa uma verdadeira mudança de vida: a chance de abandonar uma rotina rigidamente limitada pelas máquinas e conquistar autonomia, qualidade de vida e futuro. Como pontua Mariani, falar em doação de órgãos não significa apenas falar de estatísticas, mas de vidas que podem continuar. “Nossa mensagem é de esperança e gratidão a todas as famílias que, mesmo diante da dor da perda, tiveram a grandeza de dizer ‘sim’ à vida”, ressalta.

E QUANDO A FAMÍLIA DIZ SIM?
No dia 31 de julho de 2026, a Santa Casa de Misericórdia de Tupã realizou mais uma captação de órgãos. Diego Zutin Vassoler, enfermeiro responsável técnico do hospital, acompanhou o procedimento com sua equipe e explica que, após o diagnóstico de morte encefálica, a família foi acolhida, informada sobre o quadro e consultada se o paciente havia manifestado em vida o desejo de ser doador. Com a autorização formalizada pelos familiares, a Central de Transplantes foi acionada.
Após a realização dos exames, foi confirmada a possibilidade da captação e definido o horário com as equipes credenciadas. Segundo Diego, a equipe da própria Santa Casa de Tupã atuou diretamente na retirada das córneas, enquanto equipes especializadas de fora do município se deslocaram para a captação dos demais órgãos. Concluída a captação, o corpo foi entregue à família, para que a despedida pudesse seguir com respeito e dignidade. A Comissão da Santa Casa permanece à disposição da comunidade para esclarecer dúvidas sobre todas as etapas da doação de órgãos, reforça o enfermeiro.
O destino dos órgãos é definido pela Central de Transplantes, seguindo critérios técnicos e a partir da lista de pacientes que aguardam na fila. A distribuição leva em conta fatores como compatibilidade entre doador e receptor, tempo de espera e condições clínicas do paciente.

DECIDINDO SER DOADOR
A informação é sempre o primeiro passo para compreender o processo e decidir, em vida, ser um doador. O passo seguinte, e o mais decisivo, é manifestar essa vontade expressamente aos familiares, já que a autorização para a doação, após a morte, depende da família.
Esse diálogo franco pode, no momento necessário, transformar a dor de uma perda em esperança para outras pessoas. Uma família que perde um ente querido jamais terá sua dor diminuída pela doação. Mas, em meio a essa dor, pode existir um gesto de extrema generosidade capaz de salvar ou transformar outras vidas.
Hoje, além do diálogo, é possível oficializar esse desejo de forma digital e gratuita por meio da AEDO (Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos), um documento oficial que fica registrado no sistema central e respalda a decisão perante a equipe médica e a família.
A ARTAP convida a população a fazer parte dessa corrente. “Converse abertamente com a família e ajude a salvar vidas. Diga que você é favorável à doação de órgãos e que deseja ser um doador”, reforça Mariani.
ARTAP: ACOLHIMENTO E APOIO
A ARTAP (Associação dos Renais Crônicos e Transplantados da Alta Paulista) atua na defesa, orientação e assistência a pessoas com doença renal crônica e pacientes transplantados, oferecendo também apoio às famílias. “Somos uma entidade feita de pessoas que acreditam que ninguém deve enfrentar essa caminhada sozinho”, resume a presidente.
Atualmente, a instituição atende aproximadamente 150 pessoas e oferece assistência social, cestas básicas para pacientes em situação de vulnerabilidade, medicamentos, exames e acompanhamento psicológico. Para manter esse trabalho, a ARTAP conta com o apoio da comunidade, por meio de voluntariado, participação em campanhas e doações. Entre as principais necessidades estão alimentos, materiais de higiene e limpeza, cobertores e medicações.
SERVIÇO
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