EM RITMO DE CARNAVAL

Passado, presente e muita folia em Tupã

O Carnaval tupãense viveu décadas em que o samba, o brilho e a criatividade tomavam conta das ruas e dos salões, muito antes da folia ganhar novos formatos. As escolas de samba surgiram em Tupã na década de 1950, seguindo o modelo dos grandes desfiles do Rio de Janeiro. Havia mestre-sala e porta-bandeira, bateria, rainha da bateria, comissão de frente, carros alegóricos e ala das baianas. Foi nesse período que nasceu a primeira escola de samba, a Carioca, abrindo caminho para uma era marcante do evento local. Em 1956, Tupã protagonizou um dos maiores carnavais do interior paulista e entrou para a história ao reunir mais de 22 carros alegóricos, incluindo a participação de outras localidades. Um espetáculo que marcou época e consolidou a cidade como referência carnavalesca.

Rei Momo, escolas e alegorias

A abertura do Carnaval era muito aguardada. Meses antes do desfile acontecer, havia reuniões para definir temas, mulheres bordando fantasias, homens construindo carros alegóricos, ensaios da bateria e sambas-enredo criados pelos próprios foliões. Tudo isso em clima de muito bom humor.
A entrega simbólica da chave da cidade ao Rei Momo marcava o início do reinado da alegria durante os quatro dias de festa. O grande desfile percorria a Avenida Tamoios, transformada na passarela oficial da folia. Arquibancadas eram montadas ao longo de vários quarteirões, e quem quisesse um bom lugar precisava chegar cedo. O público comparecia em massa para assistir ao desfile do Rei Momo e da Rainha do Carnaval no carro abre-alas, admirar os enfeites luminosos, o brilho das fantasias e a criatividade das alegorias. As pessoas levavam cadeiras, estendiam tapetes na beira da calçada, conversavam, sambavam, torciam, observavam cada detalhe e escolhiam seus favoritos.
Os desfiles reuniam blocos e escolas de samba, formados por amigos, moradores de bairros, associados de clubes ou funcionários de empresas, competindo pelo título de Campeão do Carnaval. Entre eles, ficaram na memória nomes como Mocidade Alegre do Hirano, Escola de Samba do Tupã Tênis Clube, Ouro e Prata, Unidos da Vila Sapo, Vila Formosa, Acadêmicos de Vila Vargas, Vila São Paulo, SASMT, Os Tropicais, Gaivotas, Unidos de Vila Independência, Águia do Bico Dourado, Bloco Shok, Incas, entre tantos outros. Uma comissão avaliadora, instalada em palanque, julgava quesitos como bateria, samba-enredo, evolução, harmonia, alegorias, fantasias e comissão de frente.

A festa nos salões

Depois do desfile nas ruas, a energia ainda estava longe de acabar. O Carnaval seguia madrugada adentro nos salões sociais, que costumavam promover quatro ou até cinco noites de baile, além de matinês. Os foliões lotavam espaços como o Tupã Tênis Clube, Clube Marajoara, SASMT (Sociedade Amigos dos Servidores Municipais de Tupã), Clube dos Bancários, o popular Panelão (Ginásio de Esportes Elias Kenaifes) e o Baile do Geraldão. Um destaque especial era o Clube Kaikan da colônia japonesa. Ali, descendentes e admiradores da cultura nipônica dividiam a pista, muitas vezes com marchinhas adaptadas para o japonês ou cantadas com sotaque, criando cenas divertidas e inesquecíveis.
As decorações também eram um espetáculo à parte. Os salões ganhavam temas grandiosos, enquanto fachadas como as do Marajoara chamavam atenção com cenários marcantes, como a famosa locomotiva ou o castelinho. Alguns foliões eram fiéis a um único clube; outros faziam um verdadeiro rodízio. Famílias reservavam mesas, parentes vinham de outros lugares, marchinhas embalavam as noites, e Tupã ficava cheia de gente animada, elegante e pronta para celebrar.

O espírito carnavalesco vive

Como toda tradição viva, o Carnaval se renovou ao longo dos anos. Hoje, a folia volta a tomar conta da Avenida Tamoios, em formato aberto, gratuito e popular, reunindo milhares de pessoas no Tupã Folia. A avenida volta a ser ponto de encontro para noites movimentadas, matinês para as crianças, shows musicais e a participação de blocos com seus abadás coloridos.
O cenário é outro, o tempo é outro, mas a essência permanece: gente na rua, música tocando e muitos sorrisos. Assim como nos antigos desfiles e nos bailes de salão, é o público que dá vida à festa. Afinal, o Carnaval de Tupã é memória viva e entusiasmo que se renova de geração em geração.

Lazaro Apparecido de Mello (in memoriam), professor e advogado. Tupãense talentoso, líder de conjuntos musicais nos anos 1970 e 80, ele embalava os bailes de Tupã e região e se animava profundamente com cada Carnaval, contagiando a todos com sua música e seu sorriso. Ele trouxe melodia e felicidade para gerações, deixando lembranças que ainda vibram no ar. Em sua homenagem, assim como à de tantas pessoas que contribuíram para a construção da história carnavalesca local, a Revista Bom Dia Tupã registra e celebra esse legado de alegria.